terça-feira, 4 de setembro de 2007

A Vale é nossa! (Era só o que faltava...)


Hoje me deparei com uma pequena urna na porta da Petrobras em Macaé. Entre outras opções ara voto estava lá o "A Vale é nossa!", o plebiscito que pretende jogar a segunda maior mineradora mundo nas mãos do governo. Será que está faltando lugar pra colocar tantos apadrinhados?
Se querem que a Vale seja de vocês é possível se tornar acionista por a partir de R$100,00... Minha parte eu já tenho.

Abaixo um texto do jornalista Reinaldo Azevedo, colunista e blogueiro da Revista Veja. E antes que venha a primeira pedra ressalto que respeito as opiniões em contrário (mas não preciso de mais do que 2 minutos para te deixar na dúvida).


É mais safadeza do que ideologia

Poucas coisas são tão indecorosas quanto a decisão do PT de abraçar a “causa” da reestatização da Vale do Rio Doce. É claro que isso não vai acontecer. É ainda mais claro que o governo não moverá uma palha por isso. Mas interessa manter acionado este botão quente da política. E notem: isso foi aprovado no 3º Congresso do PT com a anuência de Lula. Por que digo isso? Seu homem ali, Ricardo Berzoini, caiu fora na hora da votação e deixou rolar. Está se armando uma palavra de ordem para as campanhas eleitorais de 2008 e de 2010.

Inicialmente, essa bobagem surgiu nos partidos de extrema esquerda — PSTU e PSOL. O PT logo percebeu uma boa causa para mobilizar a estupidez nacional. Na campanha eleitoral de 2006, o “estatismo” se transformou em propaganda eleitoral, e a oposição não conseguiu responder ao ataque. Leiam o post abaixo, em que há o relato de uma leitora de Curitiba. A campanha já está organizada. Na "igreja progressista", quem manda é o PT.

E, como sempre acontece nesses casos, a ignorância específica é gigantesca. Já atingiu até este blog, notoriamente hostil à esquerdopatia. Afirma-se, com a mais alva estupidez, que o Brasil vendeu as suas reservas de minério de ferro... Santo Deus! Tudo o que está no subsolo brasileiro, leitor, incluindo o subsolo do solo sobre o qual está a sua cama, pertence à União, conforme está claro na Constituição. Que reservas de minério elevem o preço da Vale na Bolsa de Valores, é óbvio e, mais do que tudo, desejável. Sinal de que a empresa poderá se expandir quando elas forem exploradas. Mas atenção: esses minérios NÃO SÃO da Vale. Assim como o petróleo NÃO É da Petrobras.

Qual é o valor de uma empresa? É aquele pelo qual ela pode ser vendida — e há coisas que não têm preço. Por exemplo: a Pipoca Maria, a minha vira-lata, não tem valor de mercado. Eu não vendo. Nem por toda a Vale do Rio Doce. Pronto. Quanto foi que a Vale, depois de privatizada, trouxe de investimentos para o país e quanto ela rende de divisas? Esse valor tem de entrar no preço da “privatização”, e não apenas aquele pelo qual ela foi vendida em 1997.

Ainda que os economistas do PT fossem idiotas — e idiotas eles não são —, é claro que eles sabem disso. O mesmo vale para a Telebras. Aos R$ 22 bilhões da venda, há que se somar o que as empresas de telefonia investiram nesse período. Alguém realmente acredita que a Internet seria o que é hoje no Brasil se a empresa continuasse dando prejuízo nas mãos do estado? Sem a Vale e a Telebras, os “companheiros” já se empenharam em aparelhar até a portaria das empresas públicas. Imaginem com as duas gigantes. Só na Telebras, os cargos de confiança eram... 70!!!

Ai diz um outro leitor: “Todo mundo no Brasil tem telefone, mas o brasileiro não pode pagar a tarifa...” É mesmo? Quer dizer que as empresas crescem por causa da inadimplência? Em 1996, mudei-me de Brasília para São Paulo: paguei US$ 6 mil por uma linha fixa. Era um bairro nobre da cidade. No pobre Sapopemba, na Zona Leste, custava US$ 7 mil... Sim, as empresas que vendiam telefones dolarizavam o preço. Sete anos depois, mudei de apartamento e pedi apenas para desligarem a linha. Felizmente, não valia mais um tostão furado. Quando eu a “comprei”, era um dos 20 milhões de brasileiros com telefone. Quando mandei desligar, eles já eram mais de 100 milhões (incluindo as telefonias fixa e móvel).

Não é por acaso que dois palhaços animavam o 3º Congresso do PT. Aliás, como disse Lulavitch Apedeutakoba, é mesmo uma injustiça com a “cathiguria”. Os palhaços são ao menos divertidos. Os petistas são apenas nocivos.
Por Reinaldo Azevedo | 04:37

2 comentários:

Anônimo disse...

nao tinha nenhum plebiscito sobre a cadeia do álcool lá não? essa aí já foi para conta né?

abraços,

- Cadu

Elerson disse...

Pois é meu caro. Sabe que nem vi... Obrigado por sua visita.