quarta-feira, 7 de maio de 2008

08 de Maio - Dia dos Tiros


Hoje é um dia muito especial pra mim... Faz cinco anos que morri. Isso mesmo, meu caro leitor, no dia 08 de maio de 2003, numa tentativa de assalto eu levei três tiros...
Olhando desta forma consigo imaginar como esta data seria especialmente negativa para meus pais e meus amigos, mas (e que mas) não foi daquela vez.
Não passa um dia sequer em que eu não pense naquele dia. Como outros aspectos em minha vida, não vejo como um problema. Não fico remoendo sentimentos ruins, na verdade, tenho boas lembranças. É até difícil explicar.
Cada dia, com suas bênçãos e problemas, são dádivas divinas. Vou levar isso até morrer de novo...rsrsrsr
Como reclamar da conta de luz, do imposto de renda, do salário, da esposa, da chuva, da calor, depois de ter passado pelo o que passei? No meio de um dia conturbado, olhar em volta, dar uma boa respirada e perceber que não estou mais no hospital... Relembrar, ao olhar para um bebê aprendendo a mandar beijinhos, como foi difícil reaprender algo tão simples... Subir escadas (sou capaz de sentir a mesma sensação que tive, um misto de medo e alegria, ao fazer isso no hospital)... Olhar para o teto do meu do quarto e ver que em nada parece com o da UTI. Olhar para a esquerda e não ver a porta que me deixava ver as pessoas lavarem as mãos antes de entrarem...
Boas lembranças, excelentes lições.
Vou republicar o texto que coloquei no ano passado para que leitores mais novos entendam um pouco do que aconteceu. Vou colocar também alguns dos recados que recebi e enviei no site da turma 500 Anos no Grau.
Talvez a maior lição que tenha aprendido diz respeito a existência e o poder de Deus. São vários os versículos da Bíblia que poderiam ser citados descrevendo sua suprema força... Em seguida, fico com uma lição de gratidão.
Hoje já não me lembro de todos os nomes, mas principalmente no Hospital, inúmeros profissionais e amigos se revezaram na tarefa de me ajudarem a melhorar. Sou grato a todos eles.
A Carla foi, junto com meus pais, um capítulo à parte. Sua presença naquela UTI foi um elo de ligação com a vida.
E meu amigo Humberto Cabeça. Esse me viu morrer (ligou para o resgate e teve que dar a notícia aos meu pais) e, melhor de tudo, me viu renascer.
Algumas pessoas acham que essa minha ligação com aquele 08 de maio é martirização ou algo do tipo. Não posso dizer que sim e nem que não. Uma coisa é certa, você nunca mais é o mesmo.
Em gratidão, peço a Deus que retribua continuamente àqueles que tiveram importância na minha recuperação.

3 comentários:

Carla disse...

Meu querido,

li o seu recadinho no meu blog...

Não vou dizer que "não foi nada, que faria aquilo por qualquer um", provavelmente não faria, mas se fiz o que fiz, se me dediquei a vocês, tenha certeza que foi porque vocês mereceram, porque sempre demonstraram uma amizade enorme, o que eu só quis retribuir, mostrando o tamanho da minha amizade... e hoje, meu Deus, CINCO ANOS depois, recebendo esse seu recadinho, só confirma que valeu a pena cada segundinho passado dentro daquele hospital... saber que você ficou bom, é o melhor pagamento que eu pude receber... obrigada, Deus, por permitir que eu continue a compartilhar momentos maravilhosos ao lado do meu amigo-irmão... e não consigo lembrar daquilo tudo sem derrubar ao menos uma lágrima... lágrima de tristeza... lágrima de alegria... lendo seu texto, posso sentir tudo novamente... você me emociona cada vez que escreve a meu respeito... Érida e Giovanno, me dêem licença, mas preciso dizer que TE AMO meu irmão... e se eu fui seu elo com a vida, estar ao seu lado nesse momento me deu lições valiosíssimas sobre essa frágil vida... e o que dizer da alegria em conhecer seus pais, que são pessoas maravilhosas, eles sabem o quanto os amo...

Beijos enormes

Tamo chegando...

K.

Bruno Leuenroth disse...

Ver as suas mensagens sobre os tiros e a mensagem da Carla aí em cima, me emociona e me faz acreditar firmemente que a humanidade é melhor do que fazem pensar os Nardonis da vida.
Grande abraço meu amigo,
Bruno

Anônimo disse...

Meu amor,
TE conhecia mas não sabia quem era, durante todo o tempo fui informada pela Andrea (minha amiga e irmã da Carla)sobre aquele acontecimento, vi o sofirmento daqueles que te amam. Casei com você sabendo de todo o ocorrido mas sem saber como você realmente era, e fui descobrindo aos poucos o homem maravilhoso que é e que não poderia ter escolhido alguém melhor para que a história de minha vida fosse escrita e vista por todos.
Te amo
Sua Esposa Érida