segunda-feira, 21 de maio de 2007

Novo Leitor: meu pai

Meu pai me escreveu um comentário!
Muito bom, depois da minha irmã tenho mais na família como leitor. Mais um para contribuir no meu contador.
De fato, a visita do meu pai merece um post. Costumo associar sua trajetória (e também da minha família) ao que se passou com o Brasil na segunda metade do século passado até agora.
O Antônio nasceu numa cidade do interior de Minas, perdeu a mãe aos nove anos e foi morar com um tio e ajudava-o numa pequena “venda”.
Sua juventude se deu durante o “milagre” da década de 70 e com um (ou mais, não estou bem certo) curso ‘profissionalizante’ se tornou funcionário da USIMINAS (aquela que deve ter mudança de comando nos próximos meses) – uma grande Estatal da época. Esse emprego lhe deu condições para casar, comprar uma casa, um carro, ter seus filhos e educá-los. Seu poder de compra era razoável.
Em 1982 ele foi convidado a mudar para CST (Cia Siderúrgica de Tubarão, hoje pertencente ao grupo Arcelor-Mittal) e nossa condição financeira passou por um ‘up-grade’.
Tudo passou de maneira mais ou menos tranqüila até o início dos anos 90. A privatização mudou muita coisa. Na verdade era só parte de um fenômeno que começa a varrer o mundo: a Globalização (de fato).
Meu pai ficou bastante tempo na empresa após a privatização, mas teve de deixá-la pouco antes de se aposentar. Apesar de ter concluído o 2o grau num programa da companhia, o nível superior já se tornara desejável para o desempenho de suas funções. Com isso veio um acordo e ele se desligou. Nosso poder de compra foi pro buraco. Aos poucos, mas foi...
Nesse tempo me formei em Engenharia de Agrimensura e faço MBA na FGV. Tenho um bom emprego, mas posso garantir que meu pai teve condições semelhantes as minhas em sua época.
A aposentadoria dele deu uma melhorada nos últimos anos via governo Lula (que ele aprecia, afinal foi metalúrgico), mas nada que se destaque no cenário.
Enfim, o Brasil se transformou muito nos meus 31 anos de vida. A presença Estatal cedeu lugar, a competição nos elevou o nível de exigência e profissionais como o meu pai descansam com suas aposentadorias que, mesmo não sendo aquela dos sonhos, pelo menos são bancadas pelo governo. Não sei se minha geração terá isso...
Esse é um pedaço da história deste grande homem, meu pai, cuja característica mais admirável (em minha opinião) é a paciência, que graças a Deus, eu herdei.

Sucesso pra nós.

2 comentários:

Cristóvão Pereira disse...

Elerson,

Além do seu pai e da sua irmã, tem eu...fã do seu Blog.

Abraço,
Cristóvão

Elerson disse...

Obrigado meu caro. Fico muito satisfeito com a sua presença. Recebo como uma forma de reconhecimento.
Abraço,
Elerson